Precisava dizer

Cotidiano

1 ano.
Um ano que permiti às palavras a correrem seus rumos por aqui. Foi um ato que considero de coragem, o mesmo que tento buscar há alguns meses ao encarar o teclado. Com tanto o que dizer das últimas vidas nos dias que passaram, optei por me esconder no que sempre me libertou – a pausa para escrever.

Não sei o motivo de ter voltado, mas algo que despertou foi a frase que li: “Tempo é investimento”.

Muita coisa mudou desde a última vez que escrevi nessa página, até tentei deixar os rascunhos entre bloco de notas do celular e cadernos antigos em casa só para não esquecer. Mas, esqueci. Agora, penso que talvez o meu investimento tenha sido viver o que vivi, com receio de registrar em parágrafos e perceber que tantos momentos preciosos já estavam em verbos conjugados no passado.

Fui e investi em abrir janelas para fotografar. Para pensar, criar, organizar, mudar. O propósito continua: encontrar um refúgio da rotina que desandou e andou para novos caminhos.
Por isso, voltei.
Por hoje, talvez também por amanhã.
O que vale agora é fazer as pazes com tudo o que as palavras querem dizer. Que seja o tempo de um novo respiro.

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Para ela ♡

Cartas Abertas

Começo essa carta sem saber como construir uma frase. Há tanto o que dizer, mas quando se trata de você me faltam as palavras. A emoção inunda o peito e a alma parece se calar diante dessa imensidão de sentimentos.

No seu colo eu aprendo muito: o significado de amar, se doar por inteiro a alguém. No seu olhar entendo o que é respeito e enxergo a gratidão mesmo nos dias mais difíceis. Segurando as suas mãos reconheço o que é a coragem na força de viver, enfrentando tudo e todos que acham que não somos capazes.

Se hoje as palavras falam o que eu sinto é porque você insistiu que fôssemos as melhores amigas mesmo antes dos meus seis anos de idade. Afinal, havia muito o que começar a estudar sobre esse mundo. Foi aí que, juntas, nós duas fomos descobrindo sobre a história do Brasil, o universo dos verbos e conjugações e a vastidão da Terra. Ah, perdão: éramos três – eu, você e o cafezinho às cinco horas da manhã antes da prova no colégio. Fecho os olhos e sigo sentindo o aroma de tantas lembranças – também herdei isso seu.

Você é uma parte profunda que já nasceu comigo. De braços dados nós fomos ao colégio, ao curso de inglês, à faculdade e também ao trabalho. Somos uma só, te levo no coração e na pele. No cheiro, nas flores que dividimos e no hábito de sorrir com os olhos fechados que é só nosso.

Desde sempre é você que me ensina uma das principais preciosidades que levamos anos para aprender: sobre como viver. São inúmeras memórias nos seus oitenta e três anos que permanecem gravadas na beleza única desses cabelos grisalhos e macios, emoldurando esses olhos cheios de sabedoria e um sorriso completo de amor pela vida.

Vez ou outra a gente senta para tomar um café e logo tu vens contando algum episódio da sua caminhada. Eu volto a ser criança – com ouvidos curiosos e olhares atentos ao admirar essa mente que diz sobre a emoção única de cada amanhecer. Alguns trechos já são familiares, outros são tão ricos que soam como música da alma para o coração. E é nesse que eu confio em guardar tudo o que tu me contas. Tenho tanto o que conhecer contigo que às vezes penso que talvez este tempo seja pouco. Você diria que é o necessário. Eu acredito e sonho com o dia de contarmos tudo isso as suas bisnetas. Fico com os olhos marejados só de imaginar.

Falando nisso, quem sabe um dia as nossas histórias façam o que você sonha e me pede com gentileza: voem pelo mundo nas asas de palavras em um livro. O título eu ainda não sei, mas algo me diz que poderá ser algo relacionado as flores que tu enfeita a cabeça.

Espero que eu seja capaz de escrever com maestria tudo o que compartilhamos em anos que transcendem essa vida. Mas, enquanto esse momento não chega, me conta mais um capítulo? Pode ser sobre hoje, meu amor, o dia do seu aniversário.

Vem que eu passo o nosso cafezinho, do jeito que tu me ensinou.

 

Com todo o amor do mundo inteiro que cabe em você,
Sua neta.

 

[Carta aberta para ti, minha Téo.]

ABRE O SORRISO, VAI!

Cotidiano

Quantas vidas cabem no sorrir?

O que eu quero falar aqui é disso tudo. É sobre a energia que o sorriso da alma traz.

Aprendi desde o berço como a luz de uma pessoa é algo único que a identifica, é sintonia que marca no tempo. Pois bem. Não tenho memória corporal de quando aconteceu comigo pela primeira vez, mas sinto que não foi nada de hora marcada, lugar escolhido e muito menos idade certa. Sem cafezinho para manter a conversa afiada, ela chegou e finalmente se apresentou como família. Apenas ouvi e enxerguei o que sempre admirei em quem eu amo: a energia que ilumina de dentro pra fora.

Não tem nome, característica física ou traço marcante. Você apenas sente. Pode ser através de um olhar atencioso, um sorriso tímido ou ouvidos sábios que se importam sobre o melhor de outro alguém. Em tradução livre eu digo que isso é energia, assim como tem quem chame de empatia. Cada um é cada um, então deixemos o dicionário para depois. Aqui, o nome não importa: é o aconchego de encontrar colo – em um amado, em um local, em uma lembrança; é o “bom dia” no elevador; é o “obrigado” na pergunta “tudo bem?”; é o silêncio que respeita o momento de frente ao mar; é a gratidão por mais um dia, apesar de toparmos com tantos sentimentos invejosos de gente vazia.

Energia é o que o ser pode transmitir pra outro alguém, que também está só de passagem nessa vida. É a escolha sobre como viver.

Sei que pode parecer poesia bonita de imaginar mas difícil de viver, mas eu acredito que cada um de nós tem uma missão bem linda nessa caminhada. Nada é fácil, é verdade. Mas tem algo que pode ficar menos complicado apenas com a tua energia. É se deixar levar mesmo duvidando que vai dar certo. Ninguém precisa saber que você está tentando. Ainda assim, vai por mim: experimenta, abre o sorrisão!

Sorria com a alma. Sorria com os olhos. Sorria de verdade.

Só ria.

E sigamos aprendendo.

A TAL DA GRATIDÃO

Cotidiano

A vida e suas marés. Aqueles sábados a noite que somam sabedoria a partir de uma conversa despretensiosa entre amigos.

Foi entre um riso e outro que o coração aflito pesou. A preocupação com o externo ao ambiente da mesa de bar já não passava despercebida. O celular notificava e era a certeza da minha ansiedade em checar as notícias de esperança sobre um amigo no hospital. Ali, enquanto o ar era tomado por papo jogado fora e entre olhares solidários com poucas palavras, o assunto chegou de mansinho e pegou uma cadeira para sentar: nós precisamos agradecer pelas chances que temos de viver.

A gente sabe que é difícil enxergar por esse lado ao sentir que as coisas estão em mar agitado, pois parece que tudo fica confuso demais, escuro demais. Não tem água com açúcar que resolva quando a única forma é reclamar. Tem vezes que é mais fácil fugir da superfície e se esconder na vida perfeita do feed, comparando as fotos de viagem com o cenário cinza do escritório.

E tem quem escolha mergulhar. Dessa vez, preparando-se para não prender a respiração.

Na oração, na meditação, na música preferida, no sorriso que reflete do espelho. Sem comparar as águas que ali navegam com o fluxo de outros rios, apenas aceitar – e acreditar – que você está ali por um propósito muito maior que uma onda. É acalmar o coração com o que você tem, com o corpo que você habita e com a fé que o dia pode ser lindo, mesmo sendo chuvoso.

Agradecer mais e reclamar menos. Clichê? Mas a vida tem dessas. E em momentos assim de reflexão, a gente só se desarma e aceita que há muito o que repensar. É sobre aprender que viver é muito mais do que reclamar da segunda-feira, dos dias não tão ensolarados, do café que acabou ou do ônibus que atrasou.

É sermos gratos por vivermos, nada mais.

É pensar que aqueles dias não tão radiantes vão passar e você pode escolher ficar quietinho para não chover no dia de outro alguém. Mas é lembrar que, bem ali, logo no canto mais nublado, tem uma coleção de coisas que fazem o viver acontecer. E isso é só você quem sabe.

Ali, com um sorriso tímido nos olhos, eu vi em meus amigos a sabedoria que os anos trazem e nós só compreendemos no momento certo, na hora de ouvir com o coração aberto: que a vida é imediata, doce como deve ser.

Afinal, tem dia pra tudo.

Águas de março

Cotidiano

Floresceu vinte e quatro por aqui.

Pelas contas certas, eu deveria ter nascido em maio, porém, a minha pressa de conhecer o mundo tomou o passo da frente. Primeiro sinal de que março é hora de novos rumos.

Por apego a datas ou por respeito ao tempo, é no terceiro mês do ano que tudo aflora: recordações do ano de vida, medos escondidos e sonhos que estão só no papel. Em meio à tantas dúvidas, março vem feito poesia pro coração que insiste em acalmar.

Como pétalas caídas que viram adubo, respiro com a alma e sinto o que mudou no último ano e o que pode mudar: é uma nova estação que está para chegar. É em março que deixo a verdade falar e escuto o que faz meu coração bater mais forte.

A cada ano que chega me sinto mais comigo, seja lá qual for a estação predominante do mês. Este março foi diferente, as vinte e quatro primaveras chegaram como deveriam ser – inquietas e ansiosas para mudar o curso das águas. Percebi que a lista composta pelo o que vivi nos vinte e dois anos já não era mais a mesma das palavras que escrevi sobre os vinte e três anos. Ainda bem.

A vida continuou a mesma no dia dez de março, mas por aqui a correnteza pediu coragem da minha parte. Por enquanto, temos flores sob as águas que já não são mais de março.

Entardecer é pôr do ser

Cotidiano

Ter tempo é a maior riqueza que se procura por aqui e por aí. A gente corre, se desdobra e gira a vida em torno do relógio, sem perceber que o dia visto nas redes sociais é o mesmo e mais intenso que você esconde através da persiana fechada.

Nesses meus vinte e poucos anos eu já me apressei por todos os lados: pressa de acordar, pressa de falar, de ouvir e de aprender. A vontade de viver o dia de amanhã sempre esteve no sangue. Mas é no final da tarde que essa minha ansiedade se aquieta, a alma sossega. O céu toma as cores do entardecer e eu que já não sei a hora e o lugar, aceito.

Esqueço o relógio, lembro de respirar e penso no dia, no que vi, no que aprendi, no que vivi, em quem amei. Sinto e quase vejo os pensamentos dançando e pintando o balanço que estampa as nuvens feito algodão doce. Quem me conhece sabe que olhar ao céu depois de 17h é sinônimo de calmaria dentro da alma.

Aprendi que entardecer é pôr do ser: pés descalços e pele vestida de gratidão. Ao contrário do tempo cronometrado pelo relógio, essa é a hora de se deixar levar pelos minutos de sabedoria. É tempo de vi(ver) a singularidade de mais um dia.

Pode ter passado apenas dez minutos, mas muitas vezes este tempo é o melhor que você pôde aproveitar do presente: “ver o sol se pôr vermelho”.

Vai lá fora, tá bonito de se ver.

SER AMOR POR INTEIRO

Amor

Dizem que pra ser feliz você precisa encontrar a sua metade. Alma gêmea. Sol e lua.
Dizem que pra ser feliz de verdade você precisa de alguém para te completar.
Mas no amor a gente precisa ser por inteiro.

Era meu último dia de férias nesse começo do ano. Passava das 15h e tudo que eu conseguia pensar era que eu precisava aproveitar aquela folga numa terça-feira comum. Veio a ideia e não dei tempo para a dúvida: vou dar uma volta sozinha por aí.

Coloquei um dos meus vestidos favoritos, passei blush, peguei um livro e saí de casa. O caminho até a livraria foi preenchido com um sorriso tímido no rosto, um afago que a gente sabe que tem nome de liberdade e paz. Sem preocupação com o relógio, me perdi nos corredores e me encontrei nos livros.
Aproveitei o impulso e voei para outro destino que é sinônimo de casa. “Oi, boa tarde! Tem mesa na varandinha lá de cima?” A moça simpática me sorriu de volta e perguntou: “Mesa para quantos?” Respondi com um simples “estou sozinha”. E foi aí que parei e pensei que a gente precisa ser inteira sendo sozinha. Sinta muito, de verdade.

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De tantos amores que a vida oferece você precisa descobrir que o amor está ali, contigo. E quem sou eu para dizer o contrário quando se fala em amar. Afinal, cada um sente de um jeito único e sobre isso não há discussão. Mas me arrisco e digo que precisamos ser completas, e não metade de alguém.

Viver é somar, multiplicar – primeiro consigo mesma.
Vá passar um final de semana na serra sozinha.
Vá conhecer aquele restaurante sozinha.
Vá ao cinema sozinha.
Vá olhar o mar no pôr do sol sozinha.

A vida não espera que você encontre a alma gêmea. Marque aquele café com aquela velha amiga – com a sua própria companhia. Não precisa levar muito, apenas um sorriso curioso no rosto para viver essa conversa com quem caminha a vida com você por anos e anos.

Vai por mim: esse foi o entardecer mais bonito do ano aqui dentro.

Janeiro é para quem acredita

Cotidiano

Janeiro é encontro marcado com o início do ano, com as promessas de um futuro melhor. É gente compondo lista de metas, anotando novas viagens na agenda e fazendo promessas de uma vida mais saudável. A ponta do lápis fica apontada com a emoção das festas de final de ano, marcada com os fogos de artifício que iluminaram o céu.

Janeiro se apressa e logo chegam os primeiros passos de volta ao cotidiano. O clima de descanso e renovação começa a se despedir, quase como um balde de água fria da realidade. Quem faz as contas sabe que o mês tem trinta e poucos dias, mas tem dia que corre tanto que parece durar mais do que a página do calendário.

A gente respira e continua. Se agarra na esperança do recomeço, na fé de que cada amanhecer é uma nova chance. É quando percebemos que a vida não vira a cada réveillon, e sim dentro de cada um de nós. É ali que sabemos o por que de lutarmos contra a monotonia, com clichês de verdade para dar o impulso necessário.

Janeiro é para quem quer aprender novos caminhos para casa. É para tomar fôlego e compreender as mudanças que aconteceram, os sonhos idealizados e as certezas e incertezas descobertas. Diante de tantas dúvidas a gente dá chance à certeza de mergulhar no desconhecido e pintar as páginas vazias com as cores preferidas.

Janeiro é para quem acredita. E pode durar o quanto quiser – o que tiver de ser.

Revisão de: Mariana Amorim

> 5 músicas delicinhas pra curtir o entardecer!

Cotidiano

Sempre tem aquele momento favorito do dia que a gente tenta parar a correria e ficar de boa, nem que seja preciso escapar 5 minutos da sala do escritório.

Se tem uma companheira fiel que sempre tá ali pertinho para curtir esses momentos é a música. Spotify, YouTube, iMusic – uma infinidade tão abrangente de opções que fica difícil escolher uma seleção. Então, pra facilitar a dar uma pausa na rotina, pega os fones de ouvidos e aperta o play em cinco músicas delícias que combinam com o entardecer – o meu momento preferido do dia:

    • Ben Howard – Only Love

    • Dana Williams and Leighton Meester – Fleetwood Mac – Dreams (cover)

    • The Lumineers – Submarines

    • The Kooks – Westside

  • The Strumbellas – Spirits
    Músicas delicinhas, né? Me conta se você curtiu as sugestões e vai incluir essas na sua playlist! Deixe nos comentários qual foi a sua favorita e sinta-se em casa para indicar outras! 🙂

Fazer X Sonhar

Amor

Entra um novo ano e a gente não cansa de repetir: esse é o ano dos sonhos! Acho de uma incrível fé, sem dúvidas. Mas aí chegam os primeiros dias de luta e o cansaço já bate: muito difícil esse negócio de correr atrás dos sonhos.

Tem que planejar como vai sonhar, como vai começar a pensar naquilo quase como um mantra diário. Como é que as coisas da vida vão mudar para realizar tal desejo? É tanto para decidir que muitas vezes deixamos os sonhos lá no fundo da gaveta, de preferência junto do orçamento programado da viagem.

É que geralmente não lembramos que o que decide realizar os desejos e caprichos é algo mais imediato: é preciso encarar os sonhos. De frente e de coração bem aberto.

É parar de ler os favoritos do Google sobre “como realizar os sonhos”, “como transformar sonhos em objetivos” e correr atrás, sem medo de olhar para a bagunça boa que será sem um plano perfeito a ser seguido.

Comece aquela aula de dança, compre aquela passagem em promoção. Se o caminho ficar arriscado, nada impede de desacelerar e  colocar o trilho nos eixos. Toma um café, respira e vai. Ao contrário do que muito ouvimos e levamos como verdade incontestável, há uma beleza única no imediato, no FAZER e não apenas sonhar.

A vida tá aí pra isso. Se abraça!