Precisava dizer

Cotidiano

1 ano.
Um ano que permiti às palavras a correrem seus rumos por aqui. Foi um ato que considero de coragem, o mesmo que tento buscar há alguns meses ao encarar o teclado. Com tanto o que dizer das últimas vidas nos dias que passaram, optei por me esconder no que sempre me libertou – a pausa para escrever.

Não sei o motivo de ter voltado, mas algo que despertou foi a frase que li: “Tempo é investimento”.

Muita coisa mudou desde a última vez que escrevi nessa página, até tentei deixar os rascunhos entre bloco de notas do celular e cadernos antigos em casa só para não esquecer. Mas, esqueci. Agora, penso que talvez o meu investimento tenha sido viver o que vivi, com receio de registrar em parágrafos e perceber que tantos momentos preciosos já estavam em verbos conjugados no passado.

Fui e investi em abrir janelas para fotografar. Para pensar, criar, organizar, mudar. O propósito continua: encontrar um refúgio da rotina que desandou e andou para novos caminhos.
Por isso, voltei.
Por hoje, talvez também por amanhã.
O que vale agora é fazer as pazes com tudo o que as palavras querem dizer. Que seja o tempo de um novo respiro.

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ABRE O SORRISO, VAI!

Cotidiano

Quantas vidas cabem no sorrir?

O que eu quero falar aqui é disso tudo. É sobre a energia que o sorriso da alma traz.

Aprendi desde o berço como a luz de uma pessoa é algo único que a identifica, é sintonia que marca no tempo. Pois bem. Não tenho memória corporal de quando aconteceu comigo pela primeira vez, mas sinto que não foi nada de hora marcada, lugar escolhido e muito menos idade certa. Sem cafezinho para manter a conversa afiada, ela chegou e finalmente se apresentou como família. Apenas ouvi e enxerguei o que sempre admirei em quem eu amo: a energia que ilumina de dentro pra fora.

Não tem nome, característica física ou traço marcante. Você apenas sente. Pode ser através de um olhar atencioso, um sorriso tímido ou ouvidos sábios que se importam sobre o melhor de outro alguém. Em tradução livre eu digo que isso é energia, assim como tem quem chame de empatia. Cada um é cada um, então deixemos o dicionário para depois. Aqui, o nome não importa: é o aconchego de encontrar colo – em um amado, em um local, em uma lembrança; é o “bom dia” no elevador; é o “obrigado” na pergunta “tudo bem?”; é o silêncio que respeita o momento de frente ao mar; é a gratidão por mais um dia, apesar de toparmos com tantos sentimentos invejosos de gente vazia.

Energia é o que o ser pode transmitir pra outro alguém, que também está só de passagem nessa vida. É a escolha sobre como viver.

Sei que pode parecer poesia bonita de imaginar mas difícil de viver, mas eu acredito que cada um de nós tem uma missão bem linda nessa caminhada. Nada é fácil, é verdade. Mas tem algo que pode ficar menos complicado apenas com a tua energia. É se deixar levar mesmo duvidando que vai dar certo. Ninguém precisa saber que você está tentando. Ainda assim, vai por mim: experimenta, abre o sorrisão!

Sorria com a alma. Sorria com os olhos. Sorria de verdade.

Só ria.

E sigamos aprendendo.

A TAL DA GRATIDÃO

Cotidiano

A vida e suas marés. Aqueles sábados a noite que somam sabedoria a partir de uma conversa despretensiosa entre amigos.

Foi entre um riso e outro que o coração aflito pesou. A preocupação com o externo ao ambiente da mesa de bar já não passava despercebida. O celular notificava e era a certeza da minha ansiedade em checar as notícias de esperança sobre um amigo no hospital. Ali, enquanto o ar era tomado por papo jogado fora e entre olhares solidários com poucas palavras, o assunto chegou de mansinho e pegou uma cadeira para sentar: nós precisamos agradecer pelas chances que temos de viver.

A gente sabe que é difícil enxergar por esse lado ao sentir que as coisas estão em mar agitado, pois parece que tudo fica confuso demais, escuro demais. Não tem água com açúcar que resolva quando a única forma é reclamar. Tem vezes que é mais fácil fugir da superfície e se esconder na vida perfeita do feed, comparando as fotos de viagem com o cenário cinza do escritório.

E tem quem escolha mergulhar. Dessa vez, preparando-se para não prender a respiração.

Na oração, na meditação, na música preferida, no sorriso que reflete do espelho. Sem comparar as águas que ali navegam com o fluxo de outros rios, apenas aceitar – e acreditar – que você está ali por um propósito muito maior que uma onda. É acalmar o coração com o que você tem, com o corpo que você habita e com a fé que o dia pode ser lindo, mesmo sendo chuvoso.

Agradecer mais e reclamar menos. Clichê? Mas a vida tem dessas. E em momentos assim de reflexão, a gente só se desarma e aceita que há muito o que repensar. É sobre aprender que viver é muito mais do que reclamar da segunda-feira, dos dias não tão ensolarados, do café que acabou ou do ônibus que atrasou.

É sermos gratos por vivermos, nada mais.

É pensar que aqueles dias não tão radiantes vão passar e você pode escolher ficar quietinho para não chover no dia de outro alguém. Mas é lembrar que, bem ali, logo no canto mais nublado, tem uma coleção de coisas que fazem o viver acontecer. E isso é só você quem sabe.

Ali, com um sorriso tímido nos olhos, eu vi em meus amigos a sabedoria que os anos trazem e nós só compreendemos no momento certo, na hora de ouvir com o coração aberto: que a vida é imediata, doce como deve ser.

Afinal, tem dia pra tudo.

Águas de março

Cotidiano

Floresceu vinte e quatro por aqui.

Pelas contas certas, eu deveria ter nascido em maio, porém, a minha pressa de conhecer o mundo tomou o passo da frente. Primeiro sinal de que março é hora de novos rumos.

Por apego a datas ou por respeito ao tempo, é no terceiro mês do ano que tudo aflora: recordações do ano de vida, medos escondidos e sonhos que estão só no papel. Em meio à tantas dúvidas, março vem feito poesia pro coração que insiste em acalmar.

Como pétalas caídas que viram adubo, respiro com a alma e sinto o que mudou no último ano e o que pode mudar: é uma nova estação que está para chegar. É em março que deixo a verdade falar e escuto o que faz meu coração bater mais forte.

A cada ano que chega me sinto mais comigo, seja lá qual for a estação predominante do mês. Este março foi diferente, as vinte e quatro primaveras chegaram como deveriam ser – inquietas e ansiosas para mudar o curso das águas. Percebi que a lista composta pelo o que vivi nos vinte e dois anos já não era mais a mesma das palavras que escrevi sobre os vinte e três anos. Ainda bem.

A vida continuou a mesma no dia dez de março, mas por aqui a correnteza pediu coragem da minha parte. Por enquanto, temos flores sob as águas que já não são mais de março.

Entardecer é pôr do ser

Cotidiano

Ter tempo é a maior riqueza que se procura por aqui e por aí. A gente corre, se desdobra e gira a vida em torno do relógio, sem perceber que o dia visto nas redes sociais é o mesmo e mais intenso que você esconde através da persiana fechada.

Nesses meus vinte e poucos anos eu já me apressei por todos os lados: pressa de acordar, pressa de falar, de ouvir e de aprender. A vontade de viver o dia de amanhã sempre esteve no sangue. Mas é no final da tarde que essa minha ansiedade se aquieta, a alma sossega. O céu toma as cores do entardecer e eu que já não sei a hora e o lugar, aceito.

Esqueço o relógio, lembro de respirar e penso no dia, no que vi, no que aprendi, no que vivi, em quem amei. Sinto e quase vejo os pensamentos dançando e pintando o balanço que estampa as nuvens feito algodão doce. Quem me conhece sabe que olhar ao céu depois de 17h é sinônimo de calmaria dentro da alma.

Aprendi que entardecer é pôr do ser: pés descalços e pele vestida de gratidão. Ao contrário do tempo cronometrado pelo relógio, essa é a hora de se deixar levar pelos minutos de sabedoria. É tempo de vi(ver) a singularidade de mais um dia.

Pode ter passado apenas dez minutos, mas muitas vezes este tempo é o melhor que você pôde aproveitar do presente: “ver o sol se pôr vermelho”.

Vai lá fora, tá bonito de se ver.

Janeiro é para quem acredita

Cotidiano

Janeiro é encontro marcado com o início do ano, com as promessas de um futuro melhor. É gente compondo lista de metas, anotando novas viagens na agenda e fazendo promessas de uma vida mais saudável. A ponta do lápis fica apontada com a emoção das festas de final de ano, marcada com os fogos de artifício que iluminaram o céu.

Janeiro se apressa e logo chegam os primeiros passos de volta ao cotidiano. O clima de descanso e renovação começa a se despedir, quase como um balde de água fria da realidade. Quem faz as contas sabe que o mês tem trinta e poucos dias, mas tem dia que corre tanto que parece durar mais do que a página do calendário.

A gente respira e continua. Se agarra na esperança do recomeço, na fé de que cada amanhecer é uma nova chance. É quando percebemos que a vida não vira a cada réveillon, e sim dentro de cada um de nós. É ali que sabemos o por que de lutarmos contra a monotonia, com clichês de verdade para dar o impulso necessário.

Janeiro é para quem quer aprender novos caminhos para casa. É para tomar fôlego e compreender as mudanças que aconteceram, os sonhos idealizados e as certezas e incertezas descobertas. Diante de tantas dúvidas a gente dá chance à certeza de mergulhar no desconhecido e pintar as páginas vazias com as cores preferidas.

Janeiro é para quem acredita. E pode durar o quanto quiser – o que tiver de ser.

Revisão de: Mariana Amorim

> 5 músicas delicinhas pra curtir o entardecer!

Cotidiano

Sempre tem aquele momento favorito do dia que a gente tenta parar a correria e ficar de boa, nem que seja preciso escapar 5 minutos da sala do escritório.

Se tem uma companheira fiel que sempre tá ali pertinho para curtir esses momentos é a música. Spotify, YouTube, iMusic – uma infinidade tão abrangente de opções que fica difícil escolher uma seleção. Então, pra facilitar a dar uma pausa na rotina, pega os fones de ouvidos e aperta o play em cinco músicas delícias que combinam com o entardecer – o meu momento preferido do dia:

    • Ben Howard – Only Love

    • Dana Williams and Leighton Meester – Fleetwood Mac – Dreams (cover)

    • The Lumineers – Submarines

    • The Kooks – Westside

  • The Strumbellas – Spirits
    Músicas delicinhas, né? Me conta se você curtiu as sugestões e vai incluir essas na sua playlist! Deixe nos comentários qual foi a sua favorita e sinta-se em casa para indicar outras! 🙂

> Cotidiano: sobre florescer

Cotidiano

Acordar, tomar café, escolher uma roupa, vestir-se, dirigir até o trabalho. Estacionar.

A rotina diária começa novamente, mesmo antes das 8h da manhã. O próximo passo é descer do carro e atravessar a rua para entrar na empresa, dando início a uma série de compromissos já listados na mente na noite anterior de insônia.

Trancar o carro, checar o alarme. Gestos e ações repetitivas que resolvem-se por si mesmas.
Mas aí vem a vida: algo fora do cotidiano – ou que tenha passado despercebido anteriormente – surge na sua frente. O que antes era apenas um chão úmido da última chuva revela-se como uma pausa: pétalas de flores colorindo o caminho rotineiro. Uma história romântica? Quem sabe.

Poderia ser um fato isolado e totalmente inútil, apenas para ser pisado por pés que insistem em correr a fim de resolver os problemas do dia.

Mas às vezes a gente não precisa de muito para perceber a beleza da vida – é dar uma chance a flor e ser.

Afinal, é preciso trilhar, mas antes, florescer.