A TAL DA GRATIDÃO

A vida e suas marés. Aqueles sábados a noite que somam sabedoria a partir de uma conversa despretensiosa entre amigos.

Foi entre um riso e outro que o coração aflito pesou. A preocupação com o externo ao ambiente da mesa de bar já não passava despercebida. O celular notificava e era a certeza da minha ansiedade em checar as notícias de esperança sobre um amigo no hospital. Ali, enquanto o ar era tomado por papo jogado fora e entre olhares solidários com poucas palavras, o assunto chegou de mansinho e pegou uma cadeira para sentar: nós precisamos agradecer pelas chances que temos de viver.

A gente sabe que é difícil enxergar por esse lado ao sentir que as coisas estão em mar agitado, pois parece que tudo fica confuso demais, escuro demais. Não tem água com açúcar que resolva quando a única forma é reclamar. Tem vezes que é mais fácil fugir da superfície e se esconder na vida perfeita do feed, comparando as fotos de viagem com o cenário cinza do escritório.

E tem quem escolha mergulhar. Dessa vez, preparando-se para não prender a respiração.

Na oração, na meditação, na música preferida, no sorriso que reflete do espelho. Sem comparar as águas que ali navegam com o fluxo de outros rios, apenas aceitar – e acreditar – que você está ali por um propósito muito maior que uma onda. É acalmar o coração com o que você tem, com o corpo que você habita e com a fé que o dia pode ser lindo, mesmo sendo chuvoso.

Agradecer mais e reclamar menos. Clichê? Mas a vida tem dessas. E em momentos assim de reflexão, a gente só se desarma e aceita que há muito o que repensar. É sobre aprender que viver é muito mais do que reclamar da segunda-feira, dos dias não tão ensolarados, do café que acabou ou do ônibus que atrasou.

É sermos gratos por vivermos, nada mais.

É pensar que aqueles dias não tão radiantes vão passar e você pode escolher ficar quietinho para não chover no dia de outro alguém. Mas é lembrar que, bem ali, logo no canto mais nublado, tem uma coleção de coisas que fazem o viver acontecer. E isso é só você quem sabe.

Ali, com um sorriso tímido nos olhos, eu vi em meus amigos a sabedoria que os anos trazem e nós só compreendemos no momento certo, na hora de ouvir com o coração aberto: que a vida é imediata, doce como deve ser.

Afinal, tem dia pra tudo.

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